O dinheiro que tiras
O levantamento é o único termo de um negócio de trading que não tem distribuição. Ao ritmo que a aula 96 fixou e com o risco de um por cento da aula 18, uma conta de cem mil com uma vantagem genuína de um décimo de R ganha 487,50 por mês, ou seja 5.850 por ano. Um trader que tira 500 por mês está a levar 102,6 % de toda a vantagem, e a conta que na verdade sustenta 500 é de 102.564. Pior ainda: o levantamento não se vê enquanto acontece. 500 são 0,227 de um desvio-padrão mensal, portanto durante os primeiros dezanove meses e meio o ruído é maior do que a fuga, e só depois é que a conta começa a dizer a verdade sobre ela.
Pré-requisitos: aula 96, pelas 4,875 operações por mês e pelos 0,4875 de um R que ganham; aula 18, por R como fração fixa da conta em vez de número fixo de dólares; e aula 80, pela distinção entre a conta e a casa a que esta página finalmente põe preço.
O único termo sem distribuição
Tudo o resto neste negócio é uma extração. O resultado do mês é uma extração, a pior descida do ano é uma extração, e até a vantagem é uma estimativa que um histórico suficientemente longo poderia mexer. O levantamento não é uma extração. São 500 num mês em que o sistema fez 3.000 e 500 num mês em que perdeu 4.000, e é essa assimetria que faz dele o número mais perigoso da página: é o único que não pode ter um mês mau.
Põe-no nas mesmas unidades de tudo o resto. A aula 18 dimensiona uma operação de modo a que uma perda custe uma fração fixa da conta, e um por cento é o número que este curso usa desde então. Portanto numa conta de cem mil, um R são mil dólares, e o mês da aula 96 vale 0,4875 de um R e mexe-se 2,2079 deles.
| Risco por operação | Um R | O mês ganha | O mês mexe-se | O ano ganha |
|---|---|---|---|---|
| 0,5 % | 500 | 243,75 | 1.103,97 | 2.925 |
| 1,0 % | 1.000 | 487,50 | 2.207,94 | 5.850 |
| 2,0 % | 2.000 | 975,00 | 4.415,88 | 11.700 |
Lê a terceira coluna e a quinta em conjunto. A um por cento por operação, o negócio ganha 5,85 % da conta por ano antes de custos e antes de impostos, o que é um número respeitável para uma estratégia e fraco para um salário. Não é fraco porque a vantagem seja pequena. É fraco porque o ritmo é baixo: a vantagem aplica-se 4,875 vezes por mês em vez de quarenta, e o retorno anual é a vantagem multiplicada pelo número de vezes que chegas a usá-la.
A duplicação na última linha é real e é a razão por que a aula 18 existe. Arriscar dois por cento por operação duplica o ganho anual para 11.700 e duplica com ele cada drawdown, e a aula 22 já pôs preço ao que isso faz à hipótese de nunca mais voltar. Nada nesta página defende a segunda linha contra a primeira; o ponto é que o levantamento tem de ser lido contra a linha em que estás de facto.
O que a conta consegue sustentar
Um levantamento é sustentável quando não é maior do que aquilo que a conta ganha. Isso é uma divisão. A um por cento de risco e a este ritmo, o ganho mensal é 0,004875 da conta, portanto a conta que sustenta um levantamento de W é W dividido por 0,004875. Para 500 por mês são 102.564. Para 1.000 por mês são 205.128. Para um salário de 4.000 por mês são 820.513.
Vira isso do avesso e é a frase que este módulo existe para escrever: ao ritmo que este curso mediu, com uma vantagem genuína, um trader que queira tirar 4.000 por mês precisa de oitocentos mil dólares e vai passar dois anos em cada cinco a parecer que está a falhar. A exigência de capital não é consequência de a vantagem ser fraca. É consequência de se sacar um salário mensal sobre uma vantagem que só chega 4,875 vezes por mês.
Porque é que a fuga é invisível
A parte perigosa não é o tamanho do levantamento. É que um trader não consegue detetá-lo no saldo da conta durante ano e meio.
O resultado de um mês tem um desvio-padrão de 2.207,94 nesta conta. O levantamento é 500. Portanto em qualquer mês isolado, o levantamento é 0,227 do ruído: um mês em que saíram 500 da conta parece exatamente igual a um em que não saíram, porque a diferença é um quinto da oscilação normal. Ao longo de m meses, os levantamentos crescem em proporção a m enquanto o ruído cresce em proporção à raiz quadrada de m, portanto há um ponto de cruzamento, e está onde 500 multiplicado por m é igual a 2.207,94 multiplicado pela raiz quadrada de m. Isso é m igual a 2.207,94 dividido por 500, tudo ao quadrado, o que dá 19,5 meses.
| Meses | Levantado | Desvio-padrão do resultado | Razão |
|---|---|---|---|
| 1 | 500 | 2.208 | 0,23 |
| 6 | 3.000 | 5.408 | 0,55 |
| 12 | 6.000 | 7.649 | 0,78 |
| 24 | 12.000 | 10.817 | 1,11 |
| 60 | 30.000 | 17.103 | 1,75 |
| 120 | 60.000 | 24.187 | 2,48 |
Durante o primeiro ano e meio a conta é dominada pelo que o mercado fez, e um trader que está a perder para os seus próprios levantamentos vai atribuí-lo a um mau período, e com razão, porque é um mau período e o levantamento está lá dentro em vez de estar por cima. Ao quinto ano os levantamentos são quase o dobro do ruído e o diagnóstico é óbvio, e a essa altura já saíram 30.000.
O levantamento não é um custo que possas cortar num mês mau. É isso que o torna diferente dos 0,1230 que o módulo 13 subtraiu. A rotação cai quando operas menos; a renda não. Um plano de negócios que trate os dois da mesma maneira pôs mal o preço justamente àquele com que não se negoceia.
Põe o cruzamento ao lado dos meses negativos da aula 96. Dois anos em cada cinco contêm uma série de três meses negativos, e dezanove meses e meio é o ponto em que o levantamento passa a ser o sinal maior. Esses dois factos sobrepõem-se mal: a primeira má série chega muito antes de a conta ser capaz de dizer ao trader se o mal é o mercado ou o salário.
Portanto divide o teu levantamento mensal pelo teu desvio-padrão mensal, eleva o inverso ao quadrado, e tens o número de meses até a tua conta conseguir ver o que lhe estás a fazer.
O que isto não resolve
Que a vantagem seja 0,10 líquida. É bruta. A aula 98 subtrai a ida e volta de 0,1230 do módulo 13 e descobre que leva cerca de quatro quintos da vantagem, o que leva o ganho mensal desta conta de 487,50 para uns 99 e a conta que sustenta 500 por mês de 102.564 para algo acima de quinhentos mil. Tudo nesta página é a versão antes de custos.
Que R se mantenha em um por cento. Mantém-se se a conta for redimensionada depois de cada levantamento, que é o que a aritmética acima assume e o que um trader disciplinado faz. Quem continua a arriscar mil dólares por operação enquanto a conta cai está a aumentar o seu risco percentual exatamente quando menos o pode pagar, e a aula 22 pôs preço a esse caminho para a ruína e não a este.
Que os impostos não estejam aqui. Não estão, e a aula 78 é a página que trata deles. Um levantamento tirado para viver costuma ser tirado depois de impostos, ao passo que os 5.850 acima são antes, portanto a diferença real entre o que a conta ganha e o que a casa precisa é maior do que esta página mostra, na fração que a jurisdição da aula 78 levar.
Que um levantamento fixo seja a forma certa. É a forma que uma casa tem, e é por isso que esta página o usa. Um levantamento fixado como percentagem da conta atual autocorrige-se e nunca a esgota, e também significa que o rendimento da casa cai exatamente quando o mercado está a castigar. Esta página põe preço ao fixo porque é esse que as pessoas tiram de facto.
E a concessão que mais custa: esta página pôs preço ao que sai e não disse nada sobre quanto tempo sobrevive o que fica. Um levantamento de 500 contra uma vantagem de 487,50 é em média uma fuga lenta, e não são as médias que esvaziam contas. A aula 98 vai primeiro atrás da própria vantagem, e descobre que a ida e volta de 0,1230 por ação do módulo 13 leva 79,7 % dela, o que transforma os 487,50 acima em 99 por mês e a conta que sustenta um levantamento de 500 em 503.944.
Problemas
- Põe preço ao teu mês. Multiplica a tua conta pela tua fração de risco, depois pela tua vantagem em R, depois pelas tuas operações por mês. Dez minutos, e ficas com um número na mão: o que o negócio ganha num mês vulgar antes de sair seja o que for. Nesta página são 487,50.
- Encontra o saldo que te sustenta. Divide a quantia que queres levantar por mês pela tua vantagem expressa como fração da conta. Dez minutos, e ficas com um número na mão: o tamanho de conta ao qual o teu levantamento fica exatamente em equilíbrio. Nesta página um levantamento de 500 precisa de 102.564.
- Encontra o teu ponto de cruzamento. Divide o desvio-padrão de um mês pelo teu levantamento mensal e eleva ao quadrado. Dez minutos, e ficas com um número na mão: os meses até o levantamento ser maior do que o ruído, que é o mais cedo que o saldo da tua conta te pode dizer alguma coisa sobre ele. Nesta página são 19,5.
Fontes. William P. Bengen, «Determining Withdrawal Rates Using Historical Data» (Journal of Financial Planning, 1994), pelo enquadramento que esta página pede emprestado e estreita: um levantamento sustentável é uma propriedade do retorno e da variabilidade da carteira em conjunto, e não do retorno sozinho, e é por isso que os 487,50 e os 2.207,94 têm de ser lidos lado a lado. Philip L. Cooley, Carl M. Hubbard e Daniel T. Walz, «Retirement Savings: Choosing a Withdrawal Rate That Is Sustainable» (AAII Journal, 1998), pela medição de que um levantamento nominal fixo contra uma carteira volátil falha a uma taxa que sobe abruptamente com o levantamento, que é o caminho que a aula 99 percorre nesta conta.
Cada um deles está definido no glossário perante a aritmética desta página.
Apenas para fins educativos. Negociar envolve risco substancial de perda. Não é aconselhamento financeiro. Resultados passados não garantem resultados futuros.
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