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🟡 Intermédio • Aula 25 de 85

Onde a liquidez repousa

Cerca de 13 min de leitura • Módulo 4: Ler o leilão
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Um stop a um décimo de uma barra média abaixo do nível tem a melhor relação ganho-risco desta página, 9,2 para 1, precisa de apenas 9,8% de acerto para ficar em zero e perde dinheiro num método que ganha 45% das vezes. Quatro operações em cada cinco nunca chegam a saber se tinham razão. O que as tira do caminho é um monte de stops alheios pousados exatamente onde está o teu, num preço que ninguém consegue ver e a que toda a gente chegou da mesma maneira.

Pré-requisitos: Aula 21, que pôs o stop um ATR para lá do nível e chamou a isso um ponto de partida e não uma lei, e aula 17, pelo b, que é aquilo com que se paga cada bocado extra de folga.

O módulo 3 era sobre ti: sobre o teu edge, a tua fração, o teu registo, a tua pior hora. Este módulo é sobre o mercado, e começa aqui porque cada padrão que contém é consequência de um facto fácil de enunciar e raramente enunciado: as ordens que ainda não foram executadas não estão distribuídas de forma uniforme pelo eixo dos preços. Empilham-se. E empilham-se em sítios que consegues nomear de antemão.

Um stop é uma ordem a mercado que ainda não aconteceu

Começa pelo que uma ordem stop realmente é, porque a resposta é menos familiar do que o nome sugere. Um stop não é uma ordem pousada no livro à espera de ser executada. É uma instrução com um gatilho: quando o mercado negociar ao teu preço ou o atravessar, envia uma ordem a mercado. Até esse momento não é sequer uma ordem, e até esse momento ninguém a vê — nem os outros traders, nem o feed público da bolsa, e na maior parte dos arranjos de retalho nem sequer a bolsa. Está no teu corretor, em estado de condição.

Daqui seguem-se duas coisas, e ambas contam para o resto do módulo. A primeira é que um stop, quando dispara, não é um pedido para negociar a um preço. É um pedido para negociar ao preço que existir, e é exatamente por isso que o slippage da aula 11 bate aqui com mais força do que em qualquer outro sítio. A segunda é que cem stops ao mesmo preço são cem ordens a mercado que vão chegar todas na mesma direção dentro do mesmo segundo, e que nada no mercado visível mostra de antemão que ali estão. São uma quantidade de fluxo futuro certo, a um preço conhecido, que ninguém consegue observar.

Porque é que se juntam nos mesmos sítios

Pergunta agora onde fica um stop. A aula 21 respondeu: para lá do preço a partir do qual a razão da operação deixa de ser verdadeira. Na prática isso reduz-se a um conjunto pequeno de preços — abaixo do mínimo do swing, acima do máximo do swing, para lá do número redondo, para lá do extremo de ontem, para lá da linha de tendência que toda a gente traçou pelos mesmos três pontos. Não são escolhas arbitrárias. São as respostas honestas à pergunta, e respostas honestas não há muitas.

A aglomeração não precisa portanto de coordenação nem de intenção. Precisa apenas de uma convenção partilhada, pela mesma razão por que se formam filas a uma só porta de um edifício que tem quatro. Toda a gente que leu a aula 21 e toda a gente que leu os livros que dizem o mesmo vai pôr um stop a poucos cêntimos de toda a gente, e nenhum deles terá comunicado com ninguém. O nível não atrai stops por ser significativo; torna-se significativo porque ali há stops.

Isto foi medido e não apenas afirmado. Osler, trabalhando sobre os registos reais de ordens de um dealer cambial, encontrou ordens stop-loss aglomeradas mesmo para lá dos números redondos e ordens de tomada de lucro aglomeradas em cima deles — e descobriu que as duas produziam comportamentos de preço diferentes: as primeiras aceleravam os movimentos através do nível, as segundas invertiam-nos nele. Kavajecz e Odders-White encontraram o mesmo pelo outro lado, mostrando que os níveis que os analistas técnicos marcam coincidem com os sítios onde a profundidade do livro está de facto. Nenhum dos dois trabalhos precisa que alguém ande a caçar seja quem for. Só precisam que as pessoas partilhem uma regra.

O que a aglomeração faz quando o preço lá chega

O preço chega ao nível. Os stops disparam. Durante uns segundos há uma rajada de ordens a mercado todas do mesmo lado, que empurra o preço mais longe nessa direção, o que dispara os stops que estão um pouco mais para fora, o que o empurra mais longe outra vez. Isso é uma cascata, e é a segunda coisa que Osler mediu diretamente.

Depois pára, e a razão por que pára é a metade interessante. O fluxo que produziu a aceleração era finito. Cada stop da aglomeração transformou-se já numa execução; atrás do movimento não ficou nada. A forma característica não é portanto uma rutura mas um solavanco seguido de uma paragem — o preço atravessa depressa um nível levado por fluxo que não tem opinião sobre valor, esse fluxo esgota-se, e o preço fica algures onde não tem razão particular para estar. Se volta ou não depende de alguém ter querido o outro lado; muitas vezes alguém quer, porque a venda que produziu o movimento foi forçada e não escolhida, e o preço a que chegou não era a estimativa de valor de ninguém.

Podes contar essa história com intenção lá dentro, e é assim que costuma ser contada: alguém caçou o teu stop. A dificuldade é que a versão com intenção e a versão sem ela preveem exatamente a mesma imagem, portanto a imagem não consegue decidir entre elas. Diferem, isso sim, num ponto verificável. Se o movimento for construído por alguém com tamanho, a sua profundidade devia escalar com aquilo que esse participante está a tentar executar. Se for uma cascata através de stops em repouso, a profundidade devia escalar com a volatilidade vulgar do instrumento, porque foi ela que fixou o espaçamento dos stops à partida. A segunda é mensurável num gráfico e a primeira não, o que é uma razão para preferir a segunda que nada tem a ver com indulgência.

A que distância para lá do nível, em números

A aula 21 disse um ATR para lá do nível e admitiu que era um ponto de partida. Eis o que faz disso um número. Toma um longo aberto na recuperação de um nível, dimensionado e com stop pela fórmula da aula 20: entrada 0,4 ATR acima do nível, alvo 5 ATR acima, e o sistema que este curso leva de ponta a ponta — funciona 45% das vezes quando é deixado em paz. Põe o stop d ATR abaixo do nível e duas coisas mexem-se ao mesmo tempo.

A relação ganho-risco cai à medida que d cresce, porque o risco está no denominador: a 0,10 ATR a operação está 9,2 para 1 e fica em equilíbrio com uma taxa de acerto de 9,8%, e a 2,00 ATR está 1,92 para 1 e precisa de 34,3%. Só por essa coluna, o stop mais apertado ganha de longe. A segunda coisa que se mexe é a hipótese de o stop ainda lá estar quando a operação resultar, e é aí que a aglomeração entra.

Supõe que uma sondagem para lá do nível percorre, em média, meio ATR antes de virar — um número que vais medir tu mesmo no problema 1, e o único número desta tabela que não é derivado. Então:

Stop, abaixo do nívelRelação ganho-riscoTaxa de acerto de equilíbrioSobrevive à sondagemEsperança
0,10 ATR — «mesmo por baixo»9,209,8 %18,1 %−0,17R
0,25 ATR7,0812,4 %39,3 %+0,43R
0,50 ATR5,1116,4 %63,2 %+0,74R
0,75 ATR4,0020,0 %77,7 %+0,75R
1,00 ATR — o valor por omissão da aula 213,2923,3 %86,5 %+0,67R
2,00 ATR1,9234,3 %98,2 %+0,29R

A primeira linha é a aula inteira. Um stop um décimo de ATR abaixo do nível tem a melhor relação ganho-risco da página e a taxa de acerto de equilíbrio mais baixa da página, e perde dinheiro. Perde dinheiro num sistema que ganha 45% das vezes e que precisa de 9,8% para ficar em equilíbrio, que é o género de margem que devia ser impossível desperdiçar. É desperdiçada na coluna da sobrevivência: quatro operações em cada cinco nunca chegam a saber se tinham razão, porque a sondagem as tirou antes.

A última linha é a outra metade. Comprar certeza também sai caro. A 2 ATR quase nada te tira por acidente, e a esperança caiu para pouco mais de um terço do seu melhor valor, porque agora estás a pagar 1,92 para 1 por um sistema que podia ter tido 5 para 1. Algures entre essas duas, as duas forças equilibram-se.

Equilibram-se aqui à volta de 0,6 ATR, que é um pouco mais do que a sondagem percorre em média — e o que é útil nesse equilíbrio é como ele é plano em cima. Qualquer valor entre 0,47 e 0,84 ATR conserva pelo menos 95% da melhor esperança disponível. O que quer dizer que a instrução honesta não é um número com três casas decimais. É: entra dentro da zona e depois pára de otimizar. Dentro da zona a curva mal distingue uma escolha da outra, e fora dela mais nada do que faças recupera a diferença.

E põe o valor por omissão da aula 21 no seu lugar. Um ATR não é aqui o ótimo, mas está perto dele o suficiente para ser uma coisa defensável a dizer a alguém que ainda não mediu nada: conserva 88% do melhor, e erra pelo lado que te custa um pouco de esperança em vez do lado que te custa a operação.

O que isto não resolve

Que a forma da distribuição das sondagens seja conhecida. A coluna da sobrevivência assume que a profundidade da sondagem se distribui exponencialmente à volta da sua média, e não é óbvio que assim deva ser. Corre a mesma aritmética com uma meia-normal da mesma média e o ótimo passa para 1,68 vezes a profundidade média da sondagem; com uma lognormal da mesma média e desvio-padrão logarítmico de 0,75 passa para 1,34, contra 1,26 da exponencial. Por isso o que sobrevive ao pressuposto é um intervalo e uma forma — um ótimo interior, entre uma e duas vezes a média, num topo plano — e o que não lhe sobrevive é qualquer regra mais arrumada do que essa. Se te apanhares a repetir um múltiplo concreto, ficaste com a metade errada.

Que os números sejam teus. Cada linha está calculada com uma taxa de acerto de 45%, um alvo a 5 ATR e uma entrada 0,4 ATR acima do nível. Os teus três mexem em todas as células, e a profundidade média da sondagem é diferente para cada instrumento e provavelmente para cada sessão. A tabela é um método, e o problema 2 é onde a pões a correr com os teus próprios números.

Que todo o nível tenha uma aglomeração por baixo. Um nível em que o preço tocou uma só vez quase não tem nada pousado para lá dele, porque só uma leva de traders teve ocasião de lá pôr alguma coisa. Esta aula inteira é sobre uma quantidade que varia, e varia sobretudo com quantas vezes um nível foi visitado e com quão visível era.

Que consigas ver alguma coisa disto. Nem um único número desta aula é observável de antemão. A aglomeração é invisível por construção — os stops vivem nos corretores, não no livro — e tudo o que está acima é inferido do que acontece quando o preço chega, e não visto antes de ele chegar. O que levanta a pergunta óbvia sobre aquilo que consegues ver, a profundidade mostrada no order book, e a aula 26 é a resposta: é visível, não é fiável, e as razões por que esses dois factos coexistem não são as que suporias.

Que a cascata seja a mesma coisa que manipulação. Não é, e vale a pena segurar a distinção durante o resto deste módulo. Uma cascata não precisa de autor. Alguém empurrar o preço de propósito para disparar uma aglomeração é uma coisa real e separada, é ilegal na maioria das jurisdições onde se consiga provar, e é o assunto da aula 27. Trata-as como uma só coisa e abdicas da única diferença verificável entre elas, que é o único sítio desta aula onde um gráfico consegue decidir seja o que for.

O nível não é onde o preço vira. É onde muitíssima gente concordou em estar errada ao mesmo preço, e a viragem — quando vem — é o que essa concordância lhes custa.

Problemas

  1. Mede a zona no teu próprio instrumento. Encontra trinta ocasiões em que o preço tenha negociado através de um nível óbvio — um máximo ou um mínimo iguais, um número redondo, o extremo de ontem — e tenha virado dentro da mesma sessão. Para cada uma, regista quanto passou para lá do nível antes de virar, dividido pelo ATR desse momento. A média dessas trinta é a única entrada da tabela acima que não consegues derivar, e é o número por que o resto desta aula está à espera. Espera que difira consoante o instrumento e consoante a sessão; isso não é ruído na tua medição, é a resposta.
  2. Reconstrói a tabela com os teus quatro números. A tua taxa de acerto e o teu alvo típico da aula 17, a tua distância de entrada e a média que acabaste de medir. Para cada distância de stop candidata, a relação ganho-risco é (alvo − entrada) ÷ (entrada + d), com alvo, entrada e d medidos todos a partir do nível, o termo de sobrevivência é a fração das tuas trinta sondagens que ficaram aquém de d, e a esperança é p × sobrevivência × b − (1 − p × sobrevivência). Andas à procura do topo plano, não do pico.
  3. Põe preço ao stop que já estás a usar. Toma a regra que segues de facto, exprime a distância dela em ATR e põe-na na tua própria curva do problema 2. Se ficar aquém da tua zona medida, sabes agora o que isso te tem custado, e não é um número pequeno. Se ficar bem para lá da zona, sabes o que te tem custado a segurança, e esse é um número menor, mas também não é nada.

Onde os problemas acima te mandam contar alguma coisa, Como reunir uma taxa de base é o apêndice que diz como: define a observação, fixa o critério antes de olhares, toma casos consecutivos em vez dos memoráveis, e conta em quatro casas.

Fontes. Carol Osler, «Currency Orders and Exchange Rate Dynamics: An Explanation for the Predictive Success of Technical Analysis» (Journal of Finance, 2003), que é a base empírica de quase toda esta aula: trabalhando sobre o order book real de um dealer, encontra ordens stop-loss aglomeradas mesmo para lá dos números redondos e ordens de tomada de lucro aglomeradas em cima deles, e mostra que as duas produzem comportamentos de preço opostos. Carol Osler, «Stop-Loss Orders and Price Cascades in Currency Markets» (Journal of International Money and Finance, 2005), para a cascata em si — como uma aglomeração disparada se propaga aos stops que estão atrás, e por que razão o movimento que daí resulta é rápido e depois está acabado. Kenneth A. Kavajecz e Elizabeth R. Odders-White, «Technical Analysis and Liquidity Provision» (Review of Financial Studies, 2004), para a mesma aglomeração vista do livro em vez de vista das ordens, e para a complicação útil de que os níveis se deslocam com a liquidez em vez de ficarem quietos a ser respeitados.

Esta aula é sobre ordens que ninguém consegue ver. A próxima é sobre as ordens que toda a gente consegue ver — a profundidade mostrada no livro, por que razão um muro de tamanho é um anúncio e não uma barreira, e os dois testes que separam o tamanho que fala a sério do que não fala.

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